11 de setembro de 2014

Historinha do 11 de setembro

Hoje é 11 de setembro. Há treze anos, minha mãe me acordava em uma antiga casa de Campinas, para ir à escola. Enquanto escovava os dentes, recebi a notícia: “Pedro, o Toninho morreu”. Na hora, quase desabei. E não por razões políticas, pois era ainda uma criança, mas pelo fato de um tio meu se chamar justamente Antônio, com apelido Toninho. Achei que fosse ele. Mas era o prefeito. 

No caminho para a escola, nos próximos sete anos, passei sempre pelo “local do crime”. Depois de um tempo, por ali foi instalada uma homenagem: uma estrutura de arame em que o ex-prefeito aparece empinando uma pipa. Por sete anos, assim, convivi com ela: uma homenagem bonita, ainda que simples, e forte como qualquer estrutura que sirva para esconder verdades não investigadas (antes fossem as investigações a própria homenagem). 

Naquele 11 de setembro de 2001, cheguei à escola. Ninguém sabia se haveria ou não aulas. Na mochila, levava pães de queijo, pois era dia de “lanche comunitário”. Era um dia frio: uma neblina se espalhava pelo pátio. De repente, apareceu a diretora. E cancelou as aulas, por causa do prefeito. E eu fiquei feliz, pois comeria sozinho os pães de queijo. Quando voltei para casa, com meu irmão, liguei a tevê no exato momento em que o avião explodia na segunda torre gêmea do World Trade Center (e isso não é uma invenção). 

Com 10 anos, acho que foi a primeira vez na vida que eu tive a percepção subjetiva de “história”. Um dia muito intenso. E eu ainda nem sabia quem era Salvador Allende.