2 de fevereiro de 2011


Sentado em frente à televisão. Ao seu lado, a esposa. Coca-Cola, pipoca e filme. A cena final: embevecido e encatarrado, sente travar a garganta; aturdido e contrariado, sente eriçar-se os pêlos; pois quando a mulher ao seu lado, a atriz e a dublagem se precipitam, pois quando sente tremer as têmporas, arder os olhos e embaçar a visão — chove no filme, temporal no filme, alagamento no filme: não, Arnaldo, você não pode piscar, não pode piscar, homem não chora.

Ilustração: Daniel Serrano, “Um ponto que se transforma em vírgula é um ponto que chora”

4 comentários:

Daniel Serrano disse...

compacto, carregado de significado: muito bom

Marco A.de Araújo Bueno disse...

Ou que manca; depois até chora.

Gabriel Kassab disse...

Textos curtos, algumas vezes, são mais significativos que muitos parágrafos. Saudade de ler um bom blog. Muito tempo desde a última vez que passei por aqui. Aliás, a Banca está no ar mais uma vez. Você não precisa de convite, mas já está convidado!
Grande abraço.

Anônimo disse...

Pedrinho, lembra do nosso papo a respeito de fazer as pessoas mais felizes, né?


Pois é.







(Esse texto já é um dos meus favoritos.)





Pois bem, vou então continuar quicando e pedindo mais.

Um beijo!