2 de fevereiro de 2011


Sentado em frente à televisão. Ao seu lado, a esposa. Coca-Cola, pipoca e filme. A cena final: embevecido e encatarrado, sente travar a garganta; aturdido e contrariado, sente eriçar-se os pêlos; pois quando a mulher ao seu lado, a atriz e a dublagem se precipitam, pois quando sente tremer as têmporas, arder os olhos e embaçar a visão — chove no filme, temporal no filme, alagamento no filme: não, Arnaldo, você não pode piscar, não pode piscar, homem não chora.

Ilustração: Daniel Serrano, “Um ponto que se transforma em vírgula é um ponto que chora”