29 de julho de 2010

Meu voto é 50

“A utopia revolucionária tende ao dinâmico e não ao estático; ao vivo e não ao morto; ao futuro como desafio à criatividade humana e não ao futuro como repetição do presente”
Paulo Freire

O tempo é de profundo descrédito. Já começamos a ver atolando nossas ruas uma enxurrada de panfletos, adesivos e santinhos. No mais despretensioso caminhar cotidiano, somos atingidos por rostos afáveis, cabelos bem tingidos e bochechas algo paternas. Como produtos altamente fetichizados, ostentam, ao mesmo tempo, o vigor da liderança e a intrepidez do chefe de família ou da mulher de fibra. No período de eleição, pululam os salvadores da pátria.

Nada mais falso, evidentemente. Os direitos básicos, tão vulgarmente prometidos por bocas bem articuladas, nunca se concretizam; e a democracia, que todos querem, vira um show pirotécnico, ostentado por exorbitantes somas de dinheiro. Assim sendo, é natural haver a recusa da política, o descrédito. Trata-se da reação de um povo que, tomado pela sede, historicamente recebe copos de água salgada.

Mesmo diante disso tudo, peço licença para falar de minha crença na política — licença para “desfraldar este canto de amor publicamente”. Sem terno ou maquiagem, faço assim por acreditar numa real alternativa para a esperança que, mesmo salgada, persiste em cada um de nós. Em meados do ano passado, filiei-me ao PSOL. Conheci pessoas admiráveis e corajosas, lutadoras e lutadores que bravamente assumem a primeira pessoa do plural; meu partido, posso dizer, tem a coragem de pôr o dedo nas feridas do poder, nas excrescências da corrupção e na jactância dos que dominam o povo. Quando todos se igualam e a injustiça permanece, O PSOL surge como a casa dos que continuam a construir um projeto de amor e justiça; projeto de um sol, sublime, a simbolizar a utopia socialista.


Por isso, meu voto é no 50. Em especial, no 5013 de Maurício Costa, porta-voz de uma candidatura da qual faço parte, junto a dezenas de colegas. Os panfletos, adesivos e santinhos (também nos utilizamos desses artefatos) de Maurício representam mais do que o dinheiro neles despendido: representam um projeto coletivo, uma “campanha-movimento” a deputado federal, dinamizada pelo vigor da juventude. Com uma esperança bonita de se ver, dezenas de homens e mulheres vêm construindo sua candidatura, na rua, junto àqueles que verdadeiramente devem protagonizar a política. O descrédito, sem dúvidas, também nos atinge. Mas a luta é para mudar esse cenário. Com a certeza de que a voz coletiva é capaz de tocar até o mais embrutecido coração humano todos vamos, um dia, brindar um copo de água doce.

11 comentários:

Aguiar disse...

Quanta alegria ler seu texto!
Lindo, Pedro!

Natália disse...

Esse texto reflete, e muito, a beleza dessa campanha que estamos construindo! Belo texto, Pedro.

Jundi disse...

Belíssimo texto mesmo!

Paula Kaufmann disse...

Juro que fiquei muito emocionada como seu texto. Tem virado clichê dizer isso no seu blog: mais um texto belíssimo.

Maurício Costa disse...

Belíssimo, Pedrinho. Mais uma vez.

Coloquei no nosso blog....

http://mauriciocosta.blog.br/

Grande abraço, camarada.

gustavo disse...

Veja que paradoxo: Me senti obrigado, pela beleza do texto, a escrever um comentário, embora ele tenha me deixado sem palavras. Só consigo me lembrar do nosso querido Luciano do Valle: "Não é nem golaço, É GOLÃO!!!" FENOMENAL!

Samir Luna de Almeida disse...

Parabéns pelo texto de chamada ao sonho e à utopia! Estranha parecerem tão distantes, pois não passam de bom senso.
Admiro vocês.

Paula Ganzella disse...

Como diziamos na escola: 'Pedrinho pra presidente!'.
Um dia ainda votarei em você!

Anônimo disse...

PP,

Carlão e Tiririca acabam de perder o voto deles. Viva a Utopia !!!!!

Eduardo

Anônimo disse...

Um brinde então!



Tô com o Samir, admiro vocês.


Clara.

(aliás, "brindar" é uma palavra muito bonita...)

Gi disse...

Poxa, não tinha visto seu texto Pedrinho!
Com certeza, essas suas palavras permitem que o sol volte a brilhar, para secar toda a angústia solta no ar. Heheh :)
Parabéns!