17 de agosto de 2009



Foi nessa praça que um dia encontrei um velho. Estava sentado num banco coletivo, usava óculos e cruzava as pernas. Os braços mantinha abertos e sobre o encosto do banco, como quem abraça a pessoa que senta ao seu lado. Sentei. Puxei papo e o velho de súbito retirou seus óculos. Do fundo da cratera óssea, fixou com firmeza o seu olhar no meu e me disse: as aparências enganam. E sei bem da veracidade de sua afirmação. Outro dia estive nessa mesma praça e não mais encontrei o velho. De longe, vi em meio aos pássaros uma criança encantadora. Braços miúdos e duas maria-chiquinhas que cobriam as orelhas. Achei fascinante a cena. O branco da pele infantil contrastava com a escuridão das pombas, que se sentiam em vôo quando fitavam os olhos da pequenina. Não titubeei e bati uma foto. Seria a lembrança de um momento sublime, um ser humano em contato com a natureza, pela suavidade ingênua de uma criança. Foi quando a menininha se levantou. Esticou seus dois braços, como quem comemora um gol, e olhou às pombas ao seu redor. Surpreendendo-me, desceu as mãos com rapidez para soltar um grito gutural: “Sai daí, bando de pombas, sai que eu estou cagando!

2 comentários:

Aguiar disse...

Cara, não acredito que você escreveu isso! hahaha

José Lima Jr. disse...

escatologicamente telúrico