6 de agosto de 2009

Fora Sarney


O Partido Socialismo e Liberdade (PSOL) esteve na Avenida Paulista, clamando pelo Fora Sarney. No dia 29 de junho e no dia 1º de agosto. No último ato realizado, eu era um dos sujeitos a entregar panfletos pela atabalhoada avenida, pedindo aos transeuntes para que abaixo-assinassem a petição pela saída de Sarney. Tentava conversar com as pessoas, sobretudo. Era difícil, a pressa é o cartão postal da Avenida Paulista. Combater o oligarca-corrupto (pleonasmo) é sempre algo que motiva as pessoas, contudo. Mesmo as que com rapidez passavam pela calçada apanhavam um panfleto, acenavam com a cabeça, diziam uma palavra ou outra. Havia alguns poucos capazes de parar e conversar, de fato, e alguns outros que aceitavam uma conversa em movimento, ritmada pelas passadas contra o tempo, que é dinheiro. Um sujeito mulato foi um dos que alguma atenção me deu, mesmo que breve em seu andar de quem corre. Foi incisivo. Nos poucos instantes em que consegui acompanhá-lo e dizer que pelo Fora Sarney estava ali, o tal logo chutou o pau da barraca: “Se o Sarney quiser ir pra para a casa do caraio, ele que vá!”. Confesso que fiquei meio sem reação, parado, olhando o sujeito a se distanciar rapidamente, como quem foge da casa do caraio. Vai ver que era um desiludido politicamente, isso é comum e o PSOL vai às ruas justamente para se mostrar como uma alternativa. Vai ver que era alguém com ódio sanguinário do senador Sarney, e que buscou o nome mais feio que tinha em seu vocabulário para mandá-lo à casa do vocábulo escolhido. Vai ver que era alguém com quem concordo. Concordo. Meu único medo é que a casa do caraio seja mesmo o senado brasileiro.

3 comentários:

gustavo disse...

FODA! muito bom mesmo...
manda pro grupo do mes...

Aguiar disse...

Pedro,

Mais uma excelente postagem sua! De fato, Sarney é a personificação de uma maneira de fazer política contra a qual devemos lançar todas nossas forças. Em tempos de desilusão e desinteresse estimulado pelo que ocorre à nossa volta, a politização cotidiana da vida deve ser nossa grande aspiração. Aos pouquinhos, as pessoas começam a indignar-se e a levantar-se. Chegará o dia em que, juntos, canalizaremos nossos desejos de mudança em uma só voz. Do Sul, raios esperançosos têm despontado. Ao lado de novos companheiros como você, podemos (e devemos) animarmo-nos. Adiante!

Abraços

Gabriel Kassab disse...

Acabo de escrever a respeito. Onde vamos parar? - pareço minha avó falando!