9 de agosto de 2009

Caras Cartas III

Caro Paulo Salim Maluf,

Quem rouba na política — não há dicotomia, meu caro — mata.

Muito obrigado. Estou em casa nesse momento, escrevendo essa carta. Não fosse a avenida que o senhor inaugurou, as linhas de metrô e os túneis, não fossem todo o cimento e a argamassa que com labuta derramou sobre o próspero solo de São Paulo, eu não chegaria de meu serviço em tempo, para lhe escrever essas palavras. O senhor é do povo, Maluf.

E eu soube da última que lhe aprontou o Ministério Público de São Paulo. Ordenou que você devolvesse, para um tal cofre público, alguns milhões de reais que roubou por aí. Essa história de novo, não é mesmo? Já basta toda a ladainha que se ouve dia a dia, e ainda querem que o senhor devolva seu dinheiro? Só porque ele passeou por paraísos fiscais e fez turismo a dar com pau, até regressar ao seu bolso, como se fosse investimento na (sua) empresa Eucatex? Não entendo porque lhe recriminam. Tem tanto bandido solto por aí, meu caro, mexendo com dinheiro sujo, e quem lava o dinheiro é que é acusado?

Essa sociedade preza mesmo pela inversão de valores. Há trinta anos você mora na mesma casa, dorme com a mesma mulher e é fiel ao mesmo partido. Como se põe você em suspeita? Não entendo. Elegem o Kassab que — já diria a Marta — não é casado nem tem filhos, e enxotam o senhor para um carguinho de deputado federal. E ainda lhe chamam de ladrão! Isso é mesmo um disparate. Deve ser coisa do Quércia, que é um você mal-sucedido. Leve Leite para esse pessoal, meu caro, derrame o líquido sobre o corpo deles, lhes molhando as mãos. Isso resolverá tudo, acredito, e você bem entende desses programas sociais.

De minha parte, farei um ato público em defesa do senhor: Marcha da família, com Maluf, por Deus — não necessariamente nessa ordem. Só não sei se aglutino muita gente. Acontece que outro dia vi um presídio, caindo aos pedaços e abarrotado de pessoas. O negócio precisava de uma reforma. Ouvi falar que por lá todos são malufistas. Esperam que o senhor leve a eles dignidade, leve leite e COHAB, reformando inteiramente o prédio em que residem. Com excelente acabamento interno. E eu tenho certeza que o senhor não faltará com mais esse compromisso, que tem com o povo sofrido de São Paulo.

Pedro (essa assinatura não é minha).

Um comentário:

Daniel Serrano disse...

a assinatura ficou legal :)