8 de agosto de 2009

Caras Cartas II

Caro Danilo Gentili,

Com muita falsidade inicio essa carta, tenho de assumir. Chamar-lhe por “caro” é por demais uma desvergonha de minha parte, já que pretendo classificá-lo como um não-humano, ao longo desse escrito. Não tenho outra opção, entretanto. Essa seção chama-se Caras Cartas, e a desfaçatez, ademais, é a única maneira de falar sua língua. Sei que logra de sucesso atualmente, talvez encha seus bolsos com o salário que recebe, pelo programa que participa. Vejo-o na tevê, perambulando pelas ruas, correndo atrás de pessoas e lhes formulando perguntas, vestindo roupas compridas. E pretas. Talvez em luto a si próprio.

Talvez pela ironia que é vestir a cor que veste. Você é racista, sim, não devo postergar a escrita dessa frase. Racista, desde a unha do pé até o fio do cabelo, passando por toda sua pele. E o desígnio de piada que colocou em seu Twitter é razão para que seja processado, sem dúvidas. O racista é um transgressor da natureza humana.

O conjunto da obra, no que se inclui a carta que escreveu em autodefesa, é deplorável. A emenda saiu pior do que o soneto. Além do racismo, meu caro, nela você demonstra outros preconceitos que compõem seu repertório humorístico. Não assume o seu erro, do mesmo modo. Atropela a história, despreza a humanidade e abusa da falácia. Não pretendo, portanto, perder meu tempo com você. Que seja mesmo diminuta essa carta e que eu me abstenha de combater, um por um, os seus argumentos. De passagem, digo somente que você não pode — e muito me orgulha que você me ache chato — chamar um gay de veado, um gordo de baleia e um negro de macaco. Tampouco eu posso. Você é sem-graça, é tudo o que posso dizer. E daí o seu luto a si próprio.

Pedro.

Um comentário:

Gabriel Kassab disse...

Nossa... que surpresa! Gostaria de entender melhor o motivo que o levou a tanto.