23 de julho de 2009

Indisposto

Vêm as férias e, com ela, minha dificuldade para escrever no blog. Enclausuro-me. Acordo cedo, faço algum exercício físico, e passo o resto do dia a ler ou a me distrair com inutilidades. Não saio às ruas, não apanho um ônibus ou um metrô, me furto de muitas conversas que poderia ter, e não tenho. Secam assim minhas fontes inspiradoras. Passo a marcar com xis o calendário, na parede do meu quarto, observando o fim dos meus dias de folga.

Eu sempre quis saber escrever sobre a falta de inspiração. Nunca consegui. Invejo-me dos poemas que versejam sobre o tema, os contos e romances que, com perfeição, traduzem a angústia do escritor que não consegue escrever. É bonito, é profundo, às vezes me identifico neles, mas não consigo discorrer sobre o assunto. Aliás, não sei como os grandes escritores conseguem. Quando se está inspirado, tem-se esquecida a sensação da não inspiração e, então, é impossível traduzi-la para o papel. Quando não se está inspirado, ora, simplesmente não se escreve. Daí advém o fato de, nessas férias, eu ter dificuldade de escrever até mesmo sobre a falta da escrita, a ausência da inspiração. E daí também minha delonga, nessa postagem, em busca de algo para escrever, para falar do porquê não escrevo. Definir a inspiração, de antemão lhes digo, leitoras e leitores, não saberei fazer, já me esqueço de como ela é. E para definir sua ausência, se querem saber, de uma vez por todas, digo que a falta de inspiração é assim como uma postagem mal feita, mal postada ou indisposta, em um blog a esmo.

3 comentários:

Gabriel Kassab disse...

rs... engraçado.
Ainda bem que é só por um mês!
Mas você pode aproveitar e dar uma passadinha lá na Banca, muito tempo que não faz isso. Abs.

Daniel Serrano disse...

Indispostoqueposto

Victória disse...

Já dei a sugestão quanto a sua obra clássica. Você nunca me leva a sério viu!


-gostei do comentário do seu irmão