10 de julho de 2009

Pés amputados

"Se você sentir que lhe faz bem escrever, escreva! Só um escritor é que pode avaliar como é bom criar uma história ou compor um poema!"

Entre dezembro de 2001 e janeiro de 2002, quando tinha eu modestos dez anos de idade, parti para a escrita de um romance. Na verdade, e menos pretensiosamente, pus-me a escrever uma história, em páginas e páginas de Word, prolongada. Lembro-me de que crescia em meu peito a sensação de ser um escritor talentoso, um prodígio. Quando sentava ao meu lado, no computador, meu irmão mais velho, e pedia notícias sobre o atual estágio do enredo, eu não titubeava com minha jactância: "chame o corpo de bombeiros, pois agora está fervendo essa história!".

Achava-me talentosíssimo. E de fato articulava bem as palavras, pecava somente na verossimilhança. O romance, que levava o título de "A Viagem", narrava a viagem de um grupo de irmãos, a pé, de São Paulo a Rondônia! E o ponto alto da história, o momento em que se fazia necessária a presença dos bombeiros, era quando um dos irmãos subia em um coqueiro. Subia, caía e sangrava, deixando lá em cima seus dois pés.

Mostrei a história ao meu pai. Ele caiu na risada ao ler o episódio do coqueiro, e eu me traumatizei frente ao seu desdém. Subitamente vi em mim um péssimo escritor, e por anos não peguei em uma caneta para escrever histórias novamente. Foi nessa época, no auge de minha depressão literária, que minha avó paterna me escreveu um bonito e-mail, elogiando o romance que eu escrevera e me motivando a continuar com a escrita.

"A Viagem"

Aqui, vê-se a importância desse blog. Não há como negar que, após o trauma que tive, por aqui dou novamente vazão à minha vontade de escrever. Dessa vez, é bem verdade, com consciência de meus limites, me apegando à verossimilhança. E quando esse blog tiver leitores em Paris, Londres e Berlim, quando for referência para os mais diversos países latinoamericanos; o dia em que for adorado pelo povo da África, Ásia e Oceania, e, sobretudo, estiver na boca do povo brasileiro do Oiapoque ao Chuí, aí sim, hão de, mesmo que tardiamente, adular minhas talentosas palavras em "A Viagem", e traduzi-las para diversas línguas, e publicá-las em livros mundo afora, e me render homenagens e prêmios e etcéteras, como em um "arquivo confidencial" no Faustão.

8 comentários:

Eric Rocha disse...

Muito bom! Não posso esperar para ver, além do arquivo confidencial, o seu "guenta coração".

Abraço

Victória disse...

Ah, peça mais confete na próxima Pedrinho! Seus leitores sempre o elogiam. E além do mais, o vestibular já fez uma publicação sua.

Por sinal, adorei os pés que ficam no coqueiro, publique seu grande clássico "a viagem" qualquer hora....

bjs

olimpia disse...

Adorei a sua veia literária! O seu Blog ainda não chegou a Paris, Londres e Berlim mas já atravessou o Oceano Atlântico e chegou a Portugal! Meio caminho já está feito.

Pedro Bueno de Melo Serrano disse...

Olimpia,

Mais do que Berlim, Paris e Londres, me orgulho de chegar em Portugal, a terrinha da família. Fiquei muito feliz com seu comentário, muito muito obrigado. Creio que posso te chamar de prima. ?

Abraço.

olimpia disse...

Claro que sim! Vou continuar a acompanhar o teu blog e a comentar - assim vou conhecendo o meu primo Pedro Serrano.
Abraço

Daniel disse...

Curiosidade, é oq estou sentindo.
Não vejo a hora de ler sua obra. Gostando posso ajudar a divulga-la.
Gande abraço pedrinho, sou um leitor não muito assíduo do seu blog, porém nada tem a ver com a qualidade, q por sinal é mt boa.
Mas agora isso será resolvido, seu blog ja está nos meus favoritos, hahahaha...
outro abraço, ja q akele ficou la pro meio.

Daniel Serrano disse...

\,,/ inverossimilhança \,,/

Anônimo disse...

porra bonbo em hahahhahahhahahhahah