17 de junho de 2009

Teoria da relatividade

Cabe sempre a um primo a tarefa de distrair a criança. A mãe se envolve em assunto sério, dos que pequenos não podem ouvir, e o garoto, teimosamente enroscado nas suas pernas, tem de por algum atrativo ser levado para longe do aconchego materno. Coube-me tarefa dessas, ontem. Tive a ideia de levar meu primo, quatro, quase cinco anos de idade, para frente do monitor do computador. Ali, de imediato mostrei-lhe fotos de super-heróis, animais silvestres, e outras coisas que o pudessem reter sentado, em frente à tela e longe da conversa em que se metia sua mãe. E foi nessa situação que pude ouvir dele algumas pérolas, lhe arrancar algumas risadas e me divertir bastante.

Em certo momento, comecei a com ele falar sobre a família. Perguntei sobre seus irmãos, que na casa não estavam, sobre os tios, os demais primos, e sobre a avó, figura sagrada da família. Quando nesse assunto esbarrei, lembrei-me de um velho desejo meu: estar na pele de um garoto de cinco anos (estar novamente, digo eu, pois de minha época já não me lembro) para sentir o passar do tempo da maneira como sentem as crianças. Com 17 anos, eu, por exemplo, devo a ele parecer já um velho adulto, que dirá então de nossa avó, com 81. “Diego, quantos anos você acha que tem a vovó?”, perguntei. Meu primo fez cara de quem procura o anos mais grande que se pode existir no mundo e disparou: “Cinquenta”. Eu então disse: “Cinquenta, não. Mais, bem mais”, e ele, então, pensando ser certeiro: ”Cem”.

Poderia ainda contar às minhas leitoras e aos meus leitores a sua terceira resposta, quando lhe indiquei que a idade de nossa avó estava entre 50 e 100 anos (“28”, disse ele, o que pra mim foi chutar o pau da barraca). Mas quero mesmo é finalizar a postagem com outra anedota. Esta passada com meu irmão mais novo (agora, com 11 anos, à época, também com seus cinco) e minha avó paterna (é tempo de dizer que a tarefa de distrair crianças cabe a primos somente quando em substituição imediata de avós). Mantido ao colo da que tinha já mais de 70 anos, meu irmão quis perguntar a idade de nossa avó, que, com entonação e feição de brincadeira, disse: “20 anos”. O pequenino, por sua vez, com feição séria, de quem avalia coerentemente o que ouviu e o que observa, ponderou: “Olha, vó, não brinca, que eu vou acabar acreditando”.

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