5 de junho de 2009

"O ensino da leitura e da escrita da palavra a que falte o exercício crítico da leitura ou releitura do mundo é, científica, política e pedagogicamente, capenga"

Paulo Freire

A Universidade sempre foi o espaço da liberdade. Tanto para a produção de conhecimento quanto para a atuação política. Essa concepção existia até mesmo nos tempos da ditadura, quando grandes pensadores e militantes, perseguidos pelo regime militar, nas dependências da Universidade sentiam-se mais seguros do que externamente a ela.

E foi com muita tristeza que, nós, da Universidade de São Paulo, iniciamos a manhã desta segunda-feira. No dia 1º de junho de 2009, depois de um período de trinta anos sem que isso acontecesse, a Polícia Militar ocupou o campus do Butantã da Universidade, com mais de 150 homens e mulheres. Coube, então, aos professores, funcionários e estudantes da USP, o protesto. E, nisso, entra a foto que acima postei.

Em um dos mais tocantes atos políticos que já presenciei, sete professores da Universidade de São Paulo, na segunda-feira, transferiram suas aulas para frente da reitoria da Universidade. Esses sete — entre eles, Leonardo de Mello e Silva, meu professor de sociologia — não optaram simplesmente por paralisar suas aulas. Optaram, sim, por lecionar em frente ao prédio da reitoria, em frente aos policiais, que o ocupavam. Contrapuseram-se a fuzis, escudos e cassetetes, com a educação. Comprovaram, em um louvável gesto político, as palavras de Paulo Freire, em sua Pedagogia da Indignação: “A educação é sempre uma certa teoria de conhecimento posta em prática, é naturalmente política, tem que ver com a pureza, jamais com o puritanismo, e é em si uma experiência de boniteza”.

A polícia, entretanto, permanece ocupando a Universidade. E a mobilização para que a desmilitarização do campus aconteça, pois, aumenta. Os funcionários têm sua greve fortalecida, a despeito da presença policial com o intuito de enfraquecê-la. Atos de protesto e passeatas pela Universidade se multiplicam, e professores e estudantes deliberaram, também, nesta quinta-feira, em suas assembleias, a greve de suas categorias.

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