15 de junho de 2009

Mais presidentes

Na postagem sobre ‘Chico e os presidentes’, escrevi sobre duas músicas do genial Chico Buarque: Jorge Maravilha e Injuriado, ambas supostamente escritas a dois presidentes da República. Escrevi também que, até onde tinha eu conhecimento de suas composições, somente nesses dois casos Chico, ironicamente, importunara presidentes.

Uma meia verdade. Tratando seus interlocurores com ironia e humor, fazendo-lhes críticas pessoais mais do que políticas, de fato conheço somente os dois casos. Mas há outras músicas suas que se dirigiram — ou supostamente se dirigiram — a presidentes da República. ‘Cálice’ e ‘Apesar de você’ são exemplos, dirigidas a Médici.

Há também uma terceira (ou quinta) música, esta referida ao já falecido Getúlio Vargas, sem tê-lo, entretanto, como interlocutor. Leva o nome de ‘Dr. Getúlio’, e foi gravada por Simone, em seu disco ‘Desejos’. Chico a compôs em parceria com Edu Lobo. Seu refrão:
Abram alas que Gegê vai passar
Olha a revolução da história
Abram alas pra Gegê desfilar
Na memória popular
O curioso dessa música, contudo, não é sua letra nem sua melodia, mas sim o que sua composição acarretou. Conta o livro "Tantas Palavras", de Humberto Werneck, que, no ano de 1983, letra e música da marchinha em homenagem a Getúlio estavam já prontas. Em certo dia, Chico ocupava-se somente em acertar o refrão, ainda pendente, da música, quando, em meio aos seus compassos, outro samba começou a lhe ocorrer. Com voz, violão e batuques na madeira, Chico perseguiu-o, até chegar ao refrão da que seria uma de suas mais célebres composições:
Ai que vida boa, ô-lerê
Ai que vida boa, ô-lará

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