29 de abril de 2009

Toquinho e a Orquestra Sinfônica

Um domingo à noite, famílias pra cá e pra lá, cadeiras no meio do estacionamento, nada de carros. Crianças correndo e comendo pipocas doces, sujando suas bocas. Crianças sentadas nos ombros dos pais, esticando os pescoços para ver o palco. Casais jovens, velhos, cabelos brancos e pretos, pessoas de mãos dadas, outras dançando, e uma noite bonita. No palco, a orquestra sinfônica de minha cidade, Campinas, regida pela maestrina Ligia Amadio.

Entra no palco Toquinho. Aplausos, aplausos, aplausos. Entra no palco muito da história da música brasileira. Em plena sintonia com a orquestra, de imediato transfiguram a tal tarde em Itapoã — “Um velho calção de banho...” — em uma noite na Estação Guanabara.

A luz do palco cai sobre o músico, à frente da orquestra, e chega a hora dele extrair de seu violão até mesmo o impossível. Extrair toda uma orquestra sinfônica, quiçá.  Somente ele e a plateia, o seu “bumerangue musical”. Ele, a plateia e o pedregulho sem carros. Ele, o céu com estrelas, Chico e Vinicius de Moraes — “Vai, meu irmão...”.

A orquestra volta à tona e tem-se um bis de ‘Samba de Orly’. Tem-se ‘Eu sei que vou te amar’, ‘Berimbau’, ‘Trenzinho caipira’, ‘Que maravilha’, ‘O caderno’, ‘Aquarela’. Aquarela, aliás, como a derradeira. Mas somente até que o bumerangue musical clame pelo bis (mais um pouquinho, Toquinho!). Ele então volta.

Um show eterno acontece. E no finzinho da música-bis, a plateia se prepara para pedir mais um pouquinho, Toquinho, de novo! Mas o músico, da última nota da música que toca, emenda a primeira da derradeira-definitiva, e depois da qual bumerangue nenhum pedirá bis novamente (baterá palmas, somente) — “Não posso ficar nem mais um minuto com você...”.

E o show acaba. Saindo do estacionamento, famílias cantarolam. E veem a árvore que reina em frente à Estação Guanabara, árvore que é como o mar de Itapoã posto na vertical. Saem pela noite, a vadiar.

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