16 de abril de 2009

Senhor presidente

Existem pessoas de que lembramos somente por imagens antigas. O tempo passa, elas ainda vivem e naturalmente mudam, mas continuamos a tê-las em mente da maneira como foram quinze, vinte anos atrás. E diante de uma dessas me deparei hoje, quando liguei a televisão na TV Senado.

A pessoa havia já agrisalhado, era como se fosse o próprio pai da sua antiga imagem. Tive quase certeza de reconhecê-la, a despeito de ter envelhecido, e comprovaria o meu reconhecimento lendo o seu nome, escrito em uma pequena placa sobre a mesa, diante de si. Mas a televisão velava o que ali se escrevia. Velava para informar ao telespectador, através de uma legenda, que os senadores se reuniam para a Comissão de Serviços de Infraestrutura do Senado.

À tal pessoa, o senador Eduardo Suplicy, do PT, se referia por “senhor presidente”; Ideli Salvatti, também do PT, igualmente; senadores do DEM, PSDB, de qualquer partido ali representado, à pessoa se referiam por “senhor presidente”, e não me foi difícil, portanto, concluir que a pessoa presidia a comissão em andamento. Restava-me mesmo lembrar o seu nome.
  
E finalmente quando o lembrei, descobri porque a televisão o velava através de uma legenda. Fazia-o para esconder o que nenhum telespectador desejaria constatar. Escondia uma amarga ironia política, que somente mesmo a democracia nos faz engolir a seco. A ironia de ter como "senhor presidente" um tal senador de nome Fernando, Fernando Collor de Mello. 

Um comentário:

Zé da Banca disse...

É impressionante como Pedro constrói seus textos fazendo com que o leitor, como quem aguarda na sala de espera, fique em expecta por seu faustoso desfecho.

Sobre o que propõe o post, muito irônico chamar o referido personagem de "Senhor presidente", não? Espero que, já que chegou a tal posto, só dessa forma possa ser assim chamado.

Não precisamos de nostalgia. De desilusões oriundas do Planalto, já bastam malas, cuecas e castelos!