12 de abril de 2009

Ouça um bom conselho

O conselho é a manifestação cotidiana da amizade verdadeira, a demonstração de carinho para com a vida de alguém que se gosta —uma amiga, um amigo, um familiar. Não somos capazes de palpitar na vida de um desconhecido ou dar atenção ao rumo de seus acontecimentos. O conselho somente existe —pelo menos o verdadeiro— quando se tem carinho mútuo em seu emprego, por parte daquele que o pede e daquele que o dá. Deixando ainda mais meloso o meu discurso, arrisco dizer ser o conselho um ato de amor.

Portanto, não suporto ouvir, daquela ou daquele que me aconselha, o conhecido ditado popular ao final de sua fala: “Mas se conselho fosse bom, eu vendia, não dava”. Não posso conceber a quantificação em dinheiro de um ato de carinho, a venda de um conselho. Não consigo imaginar uma mãe, sentada à sala com o filho, recebendo dinheiro deste após aconselhá-lo; um amigo ou amiga, um namorado ou namorada comprando alguns palpites por parte de seu parceiro (a).




O conselho não é uma mercadoria. E mesmo somente brincando com tal possibilidade, o ditado a que me refiro não é salutar. Quando aconselhamos, estamos a confortar alguma pessoa, a nos importar com o rumo de sua vida. Não lhe fará bem ouvir que cobraríamos por um conselho bem dado, sendo ruim o que damos. A amizade é algo precioso, que cultivamos no dia-a-dia. Não deixemos que um de seus importantes elementos seja englobado pelo mercado, sequer insinuemos tal possibilidade. Ao meu amigo leitor, aconselho, com todo o carinho, que não use o tal ditado nem o ouça passivamente!

Terá assim amizades mais agradáveis, e bastante verdadeiras. E apesar de ser tão gostoso empregar um ditado popular em frente a uma pessoa, não lhe será doloroso abrir mão de um mísero deles. E caso proferi-lo lhe seja por demais agradável, a ponto de não conseguir abdicar o seu uso, também não se preocupe em demasia, como eu. Aliás, esqueça o que acabo de lhe dizer, abstraia minhas palavras e apague minha postagem. O estressado aqui sou eu, que enxergo pêlo em ovo e ainda saio a aconselhar os que me leem. Ora, se conselho fosse bom, eu não dava...

Um comentário:

Daniel Serrano disse...

O meu é: senta e escreve.