8 de janeiro de 2009

Táxi

Apesar da tensão a que somos submetidos no acompanhamento ocular do taxímetro, andar de táxi é sempre divertido. Se um ônibus tem lá seus momentos cômicos a nos oferecer, devido à diversidade de pessoas e conversas que nele encontramos, o táxi nos propicia uma relação mais íntima, embora forçada, e não por isso menos saborosa, com o motorista do automóvel. Certa vez, um motorista, feio que doía só de ver, contou-me com naturalidade acontecimentos de sua vida amorosa. E não eram simplesmente histórias de amor protagonizadas por ele. A totalidade delas, o que dava realce ao seu poder sedutor, passava-se em seu ambiente de trabalho, no táxi. Faz-se pertinente, aqui por mim, a citação de sua feiura pois, de acordo com suas próprias palavras, as mulheres que por sua vida passavam eram todas de suma beleza. Assim como o pescador pesca sempre os maiores peixes que existem, ele fazia as corridas com as mais deslumbrantes moças que existiam.

Tratou-se praticamente de um monólogo por parte do taxista, neste caso. Aliás, a maioria das vezes em que somos obrigados a andar de táxi, somos submetidos aos monólogos dos taxistas. É até mesmo constrangedor, diante de tanto ouvir, ter que elaborar alguns comentários para corresponder às expectativas dos narradores: "Nossa? Jura? Hum...". Por outro lado, é pertinente nos submetermos aos monólogos, entrecortados somente por nossos comentários poucossilábicos. Digo isso pois, da última vez em que me arrisquei a um diálogo, sendo este logo de início mal-sucedido, passei por uma situação ainda mais constrangedora do que o ouvir, ouvir, ouvir. Sucedeu que entrei no táxi e, mesmo percebendo o sotaque espanhol do motorista em questão, meti-me a iniciar uma conversa. Da maneira mais primitiva, fi-lo: "Como você chama?", perguntei. O taxista, em seu sotaque fortemente espanhol (era do Paraguai), disse-me: "José". Acontece que, por seu sotaque espanhol, sua pronuncia da palavra não foi exatamente igual à que faz, agora, meu leitor. Foi, imaginem o sotaque, algo próximo a isso: "Iosé". O "sé", aliás, não sei se devo escrever com o agudo ou com o circunflexo. No momento da corrida, entretanto, achando ser o circunflexo o mais apropriado, não sei por que cargas d'água senti ser interrogativa a sua afirmação. Ao seu "i o cê?", então, respondi: "O meu é Pedro. E o seu mesmo?".

3 comentários:

Victória disse...

Hahahahahaha!
O final foi ótimo!

Adorei, bjs.

ARCANO disse...

Você escreve muito bem (:

Imprensa Marrom e Cia disse...

huahuahuhaua muito bom!
abraço pedrinho!
resultados chegando, estamos na torcida

eric