24 de janeiro de 2009

Há crise

Focalizaram bem o rosto da Fátima Bernardes, como agora por vezes fazem com os apresentadores do Jornal Nacional. Um semissorriso foi aberto para os telespectadores, acompanhado de uma feição feminina e carinhosa por parte da apresentadora. A notícia só poderia ser boa, pensei. Se não boa, branda. Algo como o nascimento de um urso-panda na China.

Meu engano percebi quando, sem perder a serenidade, Fátima introduziu o assunto da matéria que seguiria: ‘em tempos de crise, um assunto muito importante vem à tona: vale a pena, para os empregados, negociar direitos trabalhistas em troca de não serem demitidos?’.

Ora, não sou especialista em leis trabalhistas ou na relação trabalhador-empregado. Entretanto, no período de prosperidade que antecedeu a crise, quando a economia mundial estava em acelerado crescimento, não vi empresários propondo divisões de lucros, revisões de leis trabalhistas em benefício dos trabalhadores ou aumentos significativos de salários. Ao menos, nada foi veiculado no Jornal Nacional, se é que algum empresário agiu dessa maneira.

Como do assunto pouco entendo, não quero me alongar em críticas. Mas em minha mente leiga sinto martelar uma injustiça bastante evidente. Quando não há crise, os lucros, exorbitantes, aliás, têm destino definido – os bolsos dos patrões. Mas quando a crise existe... Parece-me inverossímil, sinceramente. Mas ao Jornal Nacional, pelo jeito, não. Desde o semissorriso da Fátima Bernardes até a exibição da matéria em si, passou-se a impressão, para quem estava em casa, de que a revisão das leis trabalhistas era algo natural, consequente do atual momento de crise. Como de praxe, a simples maneira como um assunto é introduzido no Jornal Nacional já é parcial. Já é manipuladora e tendenciosa, seja na feição simpática de Fátima para defender os empresários ou na entonação taciturna de Bonner para incriminar uma ocupação sem-terra. Invasão, aliás.

Um comentário:

Dani D. disse...

Viva o socialismo!! hahaha

ótimo Pedrinho, muito bom mesmo!