9 de dezembro de 2008

Formatura

Meio chata, a professora de meu irmão disse a sua sala de aula: “Não se animem muito. Não é uma formatura. É apenas uma transição”. Não concordo com o comentário, acho-o inconveniente e, por isso, teimo: o evento em que estive presente na última quinta-feira chama-se formatura. Formatura de quarta série.

Como as formaturas são tradicionais! Todas têm mães chorando, mães falando alto, mães, com orgulho dos filhos, beijando seus maridos emocionadas. Toda formatura tem muita mãe. Tem a mãe de primeira viagem, aquela que é uma tiete no evento. Tem a mãe experiente no assunto, que está na formatura do caçula de seus cinco filhos, aquela mãe com cara de avó. Toda formatura tem mãe tirando foto. Mãe tirando muita foto: do formando, dos irmãos com o formando, do pai com o formando, da avó com o formando. Toda formatura tem a cena cômica que são os acenos dos pais, na platéia, para seus filhos, no palco. Em nenhuma formatura os filhos vêem os acenos.

Toda formatura tem repertório musical previsivelmente emocionante. Tem Roberto Carlos em “É preciso saber viver”, Elis Regina em “Como os nossos pais” e Renato Russo em “Pais e filhos”. Toda formatura tem, obrigatoriamente, Toquinho em seu repertório musical, tem “Aquarela” entoada pelos presentes e toda formatura acaba por, no inusitado de sua previsibilidade, emocionar os seus personagens: pais, mães, avós, irmãos, amigos. Toda formatura tem formandos.

Um comentário:

Gabriela disse...

toda formatura tem oradores... hahaha