17 de novembro de 2008

Veja mal

Aqui em casa, paramos de assinar a revista Veja há quase um ano. Desde então, como podem observar nos sites que recomendo aqui em meu blog, assinamos a Carta Capital e a Caros Amigos, respectivamente, na minha opinião, a melhor semanal e a melhor mensal do Brasil. Antes de ontem, à tarde, tive uma surpresa. Recebemos, em minha casa, seis exemplares da revista Veja. Grátis. Mas acredito que, para que a revista Veja seja realmente gratuita, não basta não pagarmos por seu recebimento. Deveríamos, também, receber dinheiro dos editores da revista. Eu explico.

Veja é uma revista que mente e manipula informações em suas matérias. É uma revista que, claramente não o sendo, insiste estupidamente em se auto-afirmar imparcial e, através dessa falsa imagem passada ao leitor, manipula e aliena este. É uma revista que, invariavelmente, posiciona-se contra os movimentos sociais em nosso país e que sustenta, em suas matérias, visões preconceituosas contra pobres, indígenas e outros grupos oprimidos em nossa sociedade. Uma revista como essa traz prejuízo ao leitor. Prejuízo. Então, para que se leia Veja de graça, repito, só recebendo dinheiro para compensar o prejuízo que temos ao lê-la. Veja é uma revista que crê que Evo Morales é um ditador sanguinário, Lula é um comunista que planeja um golpe de Estado e Fidel Castro um psicopata que come criancinhas. Veja é tão estúpida que deixa de criticar pontos, de fato, criticáveis em muitas pessoas ou situações. Poderíamos listar, infinitamente, aspectos a serem coerentemente contestados em Lula ou Fidel. Mas Veja joga baixo, opta pela fofoca, pelos dossiês forjados e por um tipo de crítica e oposição política que, para além de desleais e anti-éticas, me parecem retrógradas. Comportam-se como um grupo reacionário na época da ditadura militar, alertando o "perigo comunista", ou mesmo como antigos veículos de comunicação em anos idos de república, como no Café-com-leite, onde, de maneira falaciosa, defendiam-se ou criticavam-se pessoas por simples conveniências comerciais ou por conchavos políticos. Esquecem-se da ética.

Das quatro principais revistas semanais brasileiras, só Carta Capital teve aumento no número de assinaturas em 2007, enquanto o número da Veja caiu significativamente. Portanto, não me estressarei mais com esta revista. Esses seis exemplares, que chegaram em minha casa, escancaram aos meus olhos o óbvio: uma estratégia, desesperada, de recuperação de vendas por uma empresa que, diante de sua própria falta de honestidade e respeito com o consumidor, prevê seu futuro lógico: a falência. Como diria Kajuru, eu não leio Veja porque "não sou masoquista". E basta.

4 comentários:

Lívia disse...

é que sociais não é lá umc urso tããão interessante, né, pedro.

Daniel Serrano disse...

para além do jornalismo, a veja é decadente até na diagramação, que, com letra maior, ficou ridícula. sem contar as propagandas. Aliás, reparei que a veja não conta as páginas com propaganda. pudera, ficaria o domínio da publicidade por demais saliente!

Thiago disse...

A Veja não é perfeita,cometeu erros sim,mas carta capitale caros amigos são revistas sabidamente parciais e maniouladoras

Imprensa Marrom e Cia disse...

A Veja é anti-ética em vários sentidos. Diogo Mainardi, Reinaldo Azevedo são colunistas agressivos que não merecem ser lidos, por exemplo. No entanto, acredito que a Veja em alguns pontos trouxe contribuições para o nosso país. Basta recordar a recente denúncia acerca dos grampos telefônicos. Gerou um bafafá que tá até agora no Planalto. Ao mesmo tempo que fala mal de Lula, Chávez e Fidel, ela presta algum serviço para a sociedade. Enfim, essa é minha opinião. É revista ruim em alguns aspectos? Sim, mas que as vezes pode ser lida.

Eric