3 de novembro de 2008

Entalado na garganta

"Pedro, desce! Pedro, desce!", gritou meu pai. Eu estava no banheiro, lavando o rosto e sabendo que, apesar da vitória no GP, Felipe Massa ficaria somente com o vice campeonato. A televisão do meu quarto estava ligada e, junto com a voz do meu pai, ouvi a euforia do Galvão Bueno quando o piloto (de que não lembro o nome) colocou Hamilton na sexta colocação. A partir de então, loucura total.

Desci correndo a escada e fui para perto de minha família, na sala. 2 voltas restavam. Minha mãe acordou (dormira toda a outra parte da corrida). Eu, meu pai e meu irmão ficamos andando em volta da televisão, em um nervosismo descomunal. Uma volta. Bateu a sensação que ia dar mesmo o que queríamos. "Pai, vai dar Massa!", disse, não acreditando no que eu mesmo dizia. Voltei meu corpo todo em direção à tevê. Meu pai também. Era a posição de quem esperava alguns segundos para comemorar. Meu irmão abriu o celular e começou a redigir uma mensagem, avisando de nossa vitória, ao meu outro irmão que, coitado, estava em um ônibus, em viagem: "Hamilton em 6º, Massa 1º. Assim, campeão".

Meu estado estático, além de observar atentamente a televisão, fez ser preparado em mim um choro de intensa emoção, que viria a consagrar o título do brasileiro. Felipe Massa cruzou a linha de chegada e ouvimos o Hino da Vitória. O choro estava na portinha. "Faltam 3 curvas, faltam 3 curvas!", gritou o narrador. Três curvas para que o ingês, Lewis, permanecesse em 6º.

Mas, na última curva... todo mundo já sabe. Meu irmão fechou o celular, meu pai foi ao banheiro e minha mãe ficou com medo da gente ter um treco. Eu continuei estático em frente à tevê, não acreditando no que via.

É estranho o que o esporte nos faz. Natural seria que aquele meu choro, que estava na portinha, em lugar de emocionado, saísse motivado pela tristeza. Mas não. A ida do meu pai ao banheiro, a mensagem ao meu irmão que deixou de ser enviada e a preocupação de minha mãe juntaram-se em algo que não sei bem definir. Juntaram-se a tudo o que havia acontecido tão intensamente naquele final de campeonato. Nas minhas lágrimas, que não sabiam para onde ir, juntaram-se também e formaram uma imensa bola que se entalou em minha garganta. Como uma bola de pêlo na garganta de um gato.

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