22 de outubro de 2008

"Não compreendera ainda até que ponto os dias podiam ser, ao mesmo tempo, curtos e longos. Longos para viver, sem dúvida, mas de tal modo distendidos que acabavam por se sobrepor uns aos outros. E nisso perdiam o nome."

Achei pertinente a citação. O tempo de fato passa rapidamente. E olhar um relógio é uma coisa muito louca. Se vivêssemos no campo e, por vontade própria, passássemos o dia observando pássaros, o dia passaria mais lentamente para nós. Mas as mil atividades que temos durante o dia fazem com que este passe depressa. É a rotina. É a rotina que, cheia das tarefas, talvez seja o dia longo para viver, a que se refere a personagem na citação. Mas qual foi substancialmente a diferença entre sua segunda e terça-feira dessa semana? Talvez dias tão iguais realmente se distendam uns sob os outros e percam seus nomes. Afinal, duas insignificâncias pordem se resumir em uma só, assim como mais e mais de duas, e essa uma, absoluta, passa a não ter nome. O fato é que temos a estranha impressão de que o tempo passa rápido. Muito rápido.

A personagem que narra o que citei é Mersault, de O Estrangeiro, romance de Albert Camus. Mersault está na prisão e condenado a ter a cabeça cortada em praça pública na França, por ter matado um árabe na praia, em um dia de sol intenso.

A nossa rotina está inserida nesse enredo.

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