19 de setembro de 2008

Miúcha e os Cariocas

Foi fantástico o show ontem. Confesso que quase nada conhecia dos Cariocas, e gostei muito. Quanto à Miúcha, foi um espetáculo. Uma presença de palco maravilhosa. Mesmo com dificuldade em andar, ensaiava passos simpáticos quando em pé estava, ao ritmo dos giros de sua bengala. Eram duas, três músicas e uma história contada pela cantora. Histórias dos anos 50, 60, 70... Ela, Tom, Vinicius e cia andando pelo Rio em vida de boemios.

Certa vez, contou-nos, ao ver a quantidade de chops tomados por eles, Vinicius lhe disse: "Miuchinha, a gente tá bebendo em níveis industriais!". O contato, aliás, desde criança, com Vinicius em sua casa, por este ser amigo de seu pai, estimulou a música na família. E que família! O sobrenome Buarque de Hollanda é abençoado. Um dia, por exemplo, com sua mania de diminutivos, o poetinha disse ao já famoso jovem Chico: "Chiquinho, vamos virar parceirinho?". Saiu, nada mais, nada menos, do que Gente Humilde, interpretada de maneira única por Miúcha ontem. Jamais o último verso da música me foi tão verdadeiro como ouvindo à contora ao vivo.

A única tristeza foi a platéia vazia. Não entendo. Uma cantora e um grupo com tanta história, com tamanha importância musical em nosso país! Talvez tenha sido o preço do ingresso: 80 reais, a inteira. Mas, ao sair do espetáculo, não consigo, eu juro, dizer que estava caro.

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