1 de setembro de 2008

Eles continuam torturando (minha mente)

No dia 7 de agosto, houve reunião do Clube Militar, no Rio de Janeiro. O obejtivo dos militares era fazer contraponto ao debate sobre a punição de torturadores, devido aos seus crimes cometidos no período da ditadura militar no Brasil. Atenta-se ao fato de não se oporem somente à punição dos torturadores, mas à discussão sobre o assunto, o que é, evidentemente, antidemocrático.

Rolou de tudo. Especulações e acusações, desde que com habituais preconceitos, eram bem-vindas. Segundo um ruralista, que a eles palestrou, e foi efusivamente aplaudido, o atual governo brasileiro foi o organizador dos ataques promovidos pelo PCC em São Paulo, em maio de 2006. Já passado seus tempos, Dilma Roussef e cia. não pegaram, é evidente, em armas. Segundo o tal ruralista, tudo foi posto em prática com a ajuda dos grupos separatistas ETA e IRA, além das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia.

A mesma linha de acusação seguiu o general Coutinho, para quem o atual governo tem uma tática de ocupação do Estado pelo “aparato revolucionário”, abrindo caminho, através, por exemplo, da intenção “revanchista” de se punir os torturadores, à revolução socialista!

Alguém avisa o PSOL, meu Deus! “Helô, Helê, volte ao PT!” — lançarei a campanha.

A melhor definição para o encontro militar, creio, encontrou Leandro Fortes, em matéria à revista Carta Capital. O Salão Nobre do Clube foi transformado, para ele, “numa espécie de hospício para traumatizados da Guerra Fria”. Perfeito.

É justamente esse estado de loucura, resultado de um profundo conservadorismo que, com o passar dos anos, só aumenta, que me faz ter o mais genuíno sentimento de nojo pelo Clube Militar. Esse asco me faz pensar se o mais adequado não seria chamá-lo “clubinho”. E assim farei, doravante: clubinho. Cogitei, admito, chamá-lo Clube do Bolinha, mas clubinho me parece mais apropriado.

Do clubinho, confesso que sinto, no fundo, no fundo, muita raiva também. Muita, muita mesmo. Disse nojo, primeiramente, não só por, de fato, o sentir, mas para explicitar o desprezo ao que julgo tão torpe. Mas tenho muito é raiva do clubinho. Não há dúvidas.

Eles continuam torturando, não há duvidas. No momento, pelo menos, meus miolos.

2 comentários:

Eric Rocha disse...

Olha, estou impressionado. É de família mesmo... Parabéns pelo seu texto. Você sempre leu muito e está provando essa capacidade de interpretação do mundo em suas palavras. Um motivo para acreditar que ainda existam interessados nisso.
Parabéns novamente.

Marco Antônio de Araújo Bueno disse...

Se continuar nessa linha descortinada comprarei uma foca de estimação para aplaudí-lo a cada postagem. E, só pra provocar: quem leu um pouco do velho Karl Marx sabe muito bem que a "história sempre se repete como...farsa"...
Marco (, histórico)