29 de agosto de 2008

Um inspetor muito mau


Uma das visitas que fizemos com o GAC, grupo a que me refiro na última postagem, aconteceu ontem.

Preparamos um pequeno teatro para apresentar às crianças, que têm entre 2 e 6 anos aproximadamente (excetuando-se o berçário). Tudo foi muito no improviso e na tentativa de tirar algumas risadas ou caras de apreensão da platéia pelo desfecho da história. Nos saímos bem.

Havia um casal, sr. e sra. Sullivan, a filha e alguns cachorros da família. O vilão era o Inspetor, que, quando ainda não tinha nome, das próprias crinaças nasceu a idéia, rapidamente incorporada por nosso professor, de chamá-lo Pitbull. Pois bem, o papel do mau, mas muito mau mesmo, daqueles velhos que adoram petiscar orelhas de crinaças na platéia, caiu no meu colo. E eu fiz o meu melhor, tentando incorporar aquele ser clássico, que não toma banho, tenta destruir a vida da família Sullivan, tem alergia aos seus cães e, vale lembrar, obcessão por orelhas de crianças.

O teatro terminou rapidamente, não era longo. O mau, eu, acabou virando do bem, e a família da história terminou feliz da vida. Agredecemos a atenção da platéia, tiramos nossas fantasias e voltamos ao encontro da criançada, para outras programações.

Nesse meio tempo, bem quando eu tinha acabado de deixar as roupas do Pitbull para trás e voltar a ser o Pedro, um menino, que deve ter uns 5 anos, abraçou, sem que eu pedisse, minhas pernas e disse "obrigado". Imediatamente eu abaixei, para que pudesse abraçá-lo também. Por um momento, admito, pensei que ele havia apreciado minha atuação enquanto ator, que havia visto em mim um grande futuro nessa profissão, e que a palavra "obrigado" vinha como modo de me agradecer pelo inestimável entretenimento que eu lhe havia proporcionado.

Então, assim que o abraçei, perguntei o porquê de um agradecimento tão sincero. Tudo aquilo que imaginei... que nada! A criança, que não lembro o nome (são tantas), não demorou a responder, mostrando que, no imaginário dela, abrigaram-se bem as cenas do teatro, e não lhe poderia ser mais satisfatório um desfecho em que o mau virasse do bem. Um final em que o Inspetor Pitbull ficasse amigo da família Sullivan, de seus cães e, principalmente, esquecesse das orelhinas dele:

-- Obrigado! Obrigado por não ter comido minhas orelhas.

3 comentários:

Victória disse...

Você tá ficando famosinho né?
O Hermes fica te divulgando nos emails...tecendo elogios (merecidos, é claro).

Ah essa criança foi muito fofa! Mereceu esse destaque, adorei ver essa cena. E como de fato elas acreditaram que você poderia ter comido a orelha delas. Legal que algumas podem te pedir para não comer suas orelhas outras vezes que formos lá... algumas ainda me chamam de princesa.

Incrivel como as crianças demonstram uma sintonia com você e o Rego. Parabéns pelo papel, você o incorporou muito bem, não só você como todos.
Alias, autoritarismo e poder é uma coisa sua mesmo......... chefe!

Beijo.

Lívia disse...

daqui a pouco te vejo na malhação... melhor, na novela das oito!! você vai ser amigo da donatela. bem que você ia gostar, né?

Daniel Serrano disse...

haha. belo final. uma pena eu já saber da história...