24 de agosto de 2008

O esporte deixa a gente tonto

Não faz o menor sentido. Por que será que o esporte deixa a gente tão tonto quando assistimos a ele na tevê? Vejamos como exemplo o volei do Brasil ontem.

O ruim não foi perder o ouro. Essa seleção do Bernardinho é tão fantástica que mesmo que ficasse em último nas olimpíadas não deixaria de ser a equipe mais espetacular que já acompanhei em toda minha vida. O ruim é a nossa auto-tortura assistindo ao jogo. Basta um ponto dos Estados Unidos e já é motivo para acharmos que o canal em que estamos ligados nos traz azar. Pois bem, tiremos o Galvão e coloquemos o do Vale.

Ponto do Brasil! "Viu? Senti que aqui ia dar sorte!". Mas, de repente, mais dois pontos consecutivos dos EUA e toda a carreira brilhante do Luciano vai pro saco, ele vira o pé frio da história e partimos para o Sportv. No final das contas, essa confusão, a qual nossa própria cabeça nos submete, nos leva novamente ao Galvão. Nossa loucura enquanto torcedores fanáticos faz com que nos arrepiemos aos sons de Brasil-sil-sils! e, mais ainda, nossa loucura nos faz agüentar o Galvão de novo, depois de um tour por outros canais em busca de sorte. E o nosso "bem, amigo" falando com os familiares dos jogadores? Não, não é possível agüentar o Galvão. Falar com os familiares tudo bem, até. Mas quando vêm aquelas histórias da polenta com goiabada da tia-avó da Zizinha, cunhada do Giba, que assiste ao jogo ao vivo com um Santo Antônio na mão e o sobrinho do nosso herói na outra, chega! Tchau, Galvão.

Esta mania de "dá sorte, não dá sorte" não pára nos canais de tevê. Toma conta também do nosso posicionamento ao assistirmos ao jogo. Tipo: sentar naquela poltrona dá mais sorte. Como sempre, bastam dois pontos consecutivos dos EUA para que cheguemos à conclusão de que a melhor posição era mesmo aquela atrás do sofá, com o joelho esquerdo levemente dobrado e um copo de água na mão. É um sofrimento!

Existem outras cenas bizarras em nós enquanto torcedores. O que dizer daquelas vibradas com punhos cerrados depois de importantes pontos de nossa seleção ou comentários intelingentíssimos do tipo: "O Giba é foda", com entonação triunfal? E quando o êxito é ainda maior, como em um bloqueio do Gustavo, e erguemos imediatamente os dois braços no ar, levantando levemente os glúteos do assento, além de fecharmos a boca fazendo um beicinho de vencedor? É tudo muito engraçado quando visto algumas horas depois da partida.

E assim foi ontem. O Brasil perdeu, mas essa seleção é demais. Parabéns pra ela!

3 comentários:

Daniel Serrano disse...

Ainda digo: se o giba fosse geba, aí é que ia endurecer o jogo!

Victória disse...

"O esporte deixa a gente tonto"
Ta aí bons motivos para não ficar praticando esportes ou tentando entender o que acontece nesses campeonatos da vida.... Por isso que eu gosto de ser sedentária! (salvo pelas danças circulares, agora pós-reunião do reciclando também! haha)
Bom começo de Blog, não duvido encontrar boas produções por aqui! Vistirei sempre que possivel...

Beijo, Vi.

Lívia disse...

engraçado mesmo é quando alguém que nao tem o mínimo interesse pelo vôlei do brasil - eu - observa pessoas como você, um pouquinho fanáticas, buscando e acreditando em táticas absurdas para "dar sorte". é como simpatia no dia dos namorados! agora você entende aquelas moças que acendem incenso no dia 12 de junho às 23:59 falando o nome de seu amado...
(nao sei o que eu disse. eu faço esse tipo de comentário, desculpa!)